A Cegueira em Pequenos Ensaios

Daqui ouço as palmas,
os gritos inseguros das vozes
que mesmo sem o que dizer
não hesitam em fazer prevalecer
o tom grave de suas constantes
acusações e apontamentos de dedo.

Há, no entanto,
buracos em cada uma das mãos,
e a cada tentativa de esconder
o próprio rosto acaba por revelar
as marcas de semelhança
entre todos que,
acreditando serem diferentes,
carregam em comum
as marcas de chicote
do engenho e da engenhosidade
com a qual hoje nos operam
as leis e o judiciário.

(Muitos de meus irmãos
há muito tempo já convivem
com o chicote real em forma
de camburão e cacetete).

Há pouco tempo para se ouvir
o canto de pássaros,
afogados em petróleo
público e privado
sem a distinção típicas de boiadas
que costumou-se chamar
esquerda e direita.

Não se ouvem pássaros azuis
a brotar em peitos poéticos,
ainda que alguma coisa meio amorfa
e com um cheiro um tanto torto
tenha feito alguns grasnados aqui dentro,
uivando na mesma sala
em que um dia se encontravam
versos de mariposa.

Restam poucas opções
além de enlouquecer.

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