Poemas Selecionados: 2012

Fecha Teus Olhos Profundos

É a vida também um oceano
A transbordar surpresas sobre a praia
De nossa existência.
Veja só a lua lá no céu:
Brilha sempre como um espelho,
E ainda assim cada noite se torna
Um momento único e preciso,
Embalando nossos sonhos etéreos
Numa suave dança
Infinita.

a casa, refúgio

encontro em meus poemas refúgio magnífico,

uma casa contra a tempestade.
e vez em quando recebo uma visita
de errantes e nômades desta terra.
meus jardins são sem rimas,
mas as flores brilham mesmo no escuro.
e cá outra vez em raras,
aparecem-me novas flores; novas e surpreendentes
mesmo para marujos como eu,
que já se cansaram de navegar.

mas a minha casa se sustenta no meio do mar
e daqui eu vejo o mundo.
ora escuro, ora claro,
ora modesto e ora complexo.
um mundo coberto por razões,
que se protege como um cão
contra a emoção boêmia.

mas o mundo não pode se proteger como eu posso.
afinal, que meus poemas sejam como a chuva,
e que tragam para a terra coisas jamais vistas,
seja no meu pequeno mundo perdido,
seja nas orações nômades a vagar pelo oceano da vida.

As Horas

Pois o tempo terá passado.

Terão passado os risos,
as aventuras e os momentos.
Como borboletas transbordando,
Os amigos voarão para longe
e a amizade terá passado.
A memória irá permanecer,
até ser deixada por outras
e as lembranças terão passado.
Lentamente os deuses partirão,
Trazendo então o ermo
e a companhia terá passado.
Virá então a morte,
Vestida de seda e poesia,
Atravessando os campos
Tingindo-os de preto
e a vida terá passado.

Embrião

O vento sopra vindo do leste
Balançando os pássaros nas árvores
Expulsais as pragas do agreste
Se quisereis ver no campo flores
Brancas como nuvens pálidas
Quentes como damas cálidas

Manchas negras formadas
Na ponta dos dedos mortos
Limpais as cinzas derramadas
Se quisereis ver nascer corpos
D’alma imortal e pura

Lágrimas melancólicas de anjos
Caem sobre frontes pecadoras
O fogo fátuo dos arcanjos
Queimando almas matadoras
Se quisereis renascer da fonte
Heis de estarem mortos primeiro

A estrada que leva ao céu
Fechada estará eternamente
O sangue escorrendo sobre o véu
Planta no mundo outra semente
O ciclo dos ventos é infinito
E, óh! não há nada mais bonito.

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